Misturas poéticas






A turma do 5º A veio à biblioteca para descobrir como é bela a poesia e como pode ser divertida. Pegámos numa mão cheia de poemas e mais um, de diferentes autores, portugueses e estrangeiros, de diferentes séculos, e misturámo-los.Verso a verso. O resultado foi um jogo poético diferente e um momento de declamações divertidas. No final, ainda declamámos os poemas originais e assim, sim, decobrimos a beleza na diversidade de poetas como Sá de Miranda, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, Florbela Espanca, Cecília Meireles e Luisa Ducla Soares. Eis o resultado das nossas misturas:


Misturas

Dobra essa orelha grosseira, e
Rei do Reino de Áquem e de Além
Sou este
Pilar da ponte de tédio
Sou qualquer coisa de intermédio:
Com dor da gente fugia,
É ter fome, é ter sede de infinito!
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Despedaçar estátuas,
Gargalhada:
Ah! Ah! Ah! Ah!


Jessica Carvalho
Helena Vasco
5ºA


Versos Baralhados

Homem vulgar! Homem de coração
E de mim
Prega-me logo
Pois que trago a mim comigo
Do vão trabalhar que sigo,
Quebrar cristais,
Então tentei
Vergar as lâminas das espadas e
Destruir as lâmpadas, abater
Comigo me desavim
Compreendes?
É uma lição.

Miguel Ferreira
Ana Clara Zorro
5º A


Versos Confusos

Eu não sou eu nem sou o outro
Que vai de mim para o outro
Que meu espero ou que fim
O que se cala, sereno, quando falo
O que perdoa, doce, quando odeio
O som e o ritmo da minha
Dor!
E é amar-te, assim, perdidamente…
Música desvairada.
E as lâmpadas, Deus do céu!
Do céu que venta,
Cetim…

Fábio Mira
João Bicho
5º A


(sem título)

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como
Mármores baixelas de ouro.
Mas amanhã
Antes que esta assim crescesse;
Ah! Ah! Ah! Ah!
- e colares, e espelhos e espadas
E atirar para longe os pandeiros e as
Liras…
Do mar que dança,
Que, por vezes, vou ver,
Comer com a mão.


Ana Sofia Barata
Inês Lobo
5º A


(sem título)

A mãe, se me vê
Sou posto em todo perigo;
Tamanho inimigo de mim?
É condensar o mundo num só grito!
É ter garras e asas de condor!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ser mendigo e dar com quem seja
Eu te quero ensinar a arte sublime
Ausente,
Não ralham comigo
Estátuas
Quem beija!
Mesquinho!

Beatriz Vasco
Maria Ortega
5º A


Sem pés nem cabeça

Escuta bem:
Nem posso fugir de mim
O que ficará de pé quando eu morrer.
Rebentar colares, partir espelhos,
De mim, se de mim pudesse.
Escuta
Essa música heróica:
E os pandeiros ágeis e as liras
Comer com o pé:
Ia levando uma tareia.
Não vês?

Luísa Alvarenga
Duarte Calhau
5º A


(sem título)

Só de três lugares nasceu até hoje
E que, às vezes, esqueço.
É ter mil desejos o esplendor
Sonoras e trémulas…
Por elmo, as manhãs de oiro e de
Cúpulas,
Tirei sapato,
Agora já fugiria
Pelo umbigo
De rir.
E seres alma, e sangue, e vida em…
Ah! Ah! Ah! Ah!

Ana Vasco
Bruno Baltazar
5º A


(sem título)

O riso magnífico é um trecho dessa
Que vai ao meu lado sem eu vê-la;
E não saber sequer que se deseja!
Mas é preciso ter baixelas de ouro;
É preciso jogar por escadas de
Mim
O que passeia por onde estou
Tirei a meia…
Não posso viver comigo
Ah! Ah! Ah! Ah!
Pois vou comer
Eu não sou eu.

Mariana Machado
Diogo São Braz
5º A

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